O sistema de aterramento é, muitas vezes, um dos elementos mais negligenciados nas instalações elétricas, embora seja crucial para a segurança de pessoas e equipamentos. Ainda hoje circulam mitos que podem comprometer a eficácia e a conformidade do projeto.
Mito 1: “Qualquer haste cravada no solo resolve.”
Na prática, o desempenho do aterramento depende de resistividade do solo, profundidade e geometria dos eletrodos, número e interligação entre pontos e da qualidade das conexões. Projetar “no escuro” aumenta o risco de tensões de toque/passo perigosas e de atuação inadequada das proteções. A avaliação começa pela medição da resistividade do solo e modelagem geoelétrica (NBR 7117) e, a partir daí, definem-se eletrodos/arranjos e se dimensiona a malha (quando aplicável).
Mito 2: “Aterramento serve só para evitar choque.”
Além de reduzir riscos de choque, o aterramento estabiliza o regime de faltas nos esquemas TN/TT/IT definidos pela NBR 5410, favorece a atuação correta de disjuntores/DPS e protege equipamentos contra surtos e descargas atmosféricas quando coordenado com o SPDA (NBR 5419).
Não existe um modelo único de aterramento ideal. Exemplos práticos:
- Ambientes industriais frequentemente demandam malhas equipotenciais e, quando houver subestação >1 kV, dimensionamento específico conforme NBR 15751 (tensões de toque/passo, seção de condutores, conexões).
- Residências e comércios usualmente utilizam eletrodos (hastes/fitas/cabos nus) associados à barra de equipotencialização e ao esquema de aterramento escolhido (TN/TT/IT) conforme NBR 5410.
Telecomunicações e TI pedem atenção a ruído/interferência: a solução envolve bonding e roteamento de retorno bem planejados, integrados ao esquema NBR 5410 e à proteção contra surtos do SPDA (NBR 5419).
Medições e manutenção: sem dados, é chute.
A manutenção periódica deve incluir ensaios do sistema de aterramento (por exemplo, queda de potencial) e verificações do SPDA, utilizando métodos normalizados pela NBR 15749 (medição da resistência de aterramento e potenciais na superfície) e pela NBR 7117 (resistividade/modelagem do solo). Para SPDA, a NBR 5419 estabelece inspeções/ensaios periódicos. Esses dados indicam corrosão, compactação do solo, conexões defeituosas e outros degradantes de desempenho.
Resumo do que não pode faltar em um bom projeto:
- Campanha de medições de solo (NBR 7117) e definição do modelo geoelétrico.
- Escolha do esquema (TN/TT/IT) e equipotencialização conforme NBR 5410.
- Coordenação com SPDA e DPS conforme NBR 5419.
- Medição da resistência de aterramento (NBR 15749) e registro de históricos para manutenção.
- Em subestações (>1 kV), dimensionamento do sistema conforme NBR 15751.
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